segunda-feira, 14 de junho de 2010

MULHERES NA COPA?







 














Comparto o texto de Lucia Irene Reali Lemos, acadêmica de Administração Legislativa, assessora parlamentar e integrante do Coletivo Estadual de Mulheres do PT do Rio Grande do Sul. Em tempo de Copa este olhar nos faz refletir na situação das mulheres vítimas de violência aqui em Brasil e no mundo.

NEM MULHER DE MALANDRO, NEM PATRICINHA, NENHUMA MULHER QUER SER ROTULADA OU CHUTADA!

Como na música, “todo dia a cidade vem e nos desafia...” e é assim mesmo, todos os dias somos provocadas em nossa dignidade e não é de hoje as lutas dos movimentos e das organizações ligadas ao combate da violência contra as mulheres. Constantemente enfrentamos “ferrenhas” batalhas contra as campanhas publicitárias que utilizam a imagem da mulher em seus produtos e as oferecem como objeto de consumo. A coisificação tá escancarada e o desrespeito cada vez maior. 

 
Esta semana fomos surpreendidas com a deplorável declaração de um desportista, jogador de futebol da Seleção Brasileira, Felipe Melo, ao falar sobre a sua insatisfação com a Jabulani, a bola oficial da Copa do Mundo: "A outra bola é igual a mulher de malandro: você chuta e ela continua ali. Essa de agora é igual a uma patricinha, que não quer ser chutada de jeito nenhum". O que nos leva a várias interpretações podendo entender que tanto a “mulher de malandro”, como “a patricinha”, (sem contar a ofensa dos rótulos) mesmo as duas não querendo, serão vítimas de violência, a diferença é que uma é agredida e se cala e a outra mesmo resistindo e reclamando será agredida também.

O fato é: a famigerada declaração vem carregada de machismo e nas entrelinhas revela a cultura de violência “velada” que existe no “mundo das personalidades” (o que não é nenhuma novidade pra nós), nos levando a uma reflexão sobre a postura do referido e o quanto isso nos transtorna.

Por ironia do destino, esta é a declaração de um homem que leva a imagem do Brasil gravada em suas vestimentas e em nossas bandeiras (sua atitude, retrata o triste perfil da violência contra as mulheres brasileiras) e foi feita na África do Sul, coincidentemente no país cujo Presidente da Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano, Julius Malema, foi levado ao tribunal por empregar um discurso baseado no ódio contra as mulheres. País que segundo estudo efetuado em 2009 pelo Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul revelou que um em cada quatro homens entrevistados admitiu ter violentado uma mulher, o índice mais elevado de todo o mundo.

Ora, ora, o referido foi “infeliz” na sua declaração e talvez desconheça o peso de ser mulher em um país cujo continente quase que na sua totalidade é marcado pela desigualdade, pelo machismo e pela violência.

Pesquisas apontam que a África do Sul possui altos índices de violência sexual – cerca de 150 mulheres são violadas diariamente, segundo os dados do Instituto Sul-Africano para Relações Raciais. Sem contar que é muito comum o estupro coletivo (1/4 dos casos envolve mais de um abusador). A estimativa é de que ocorra um abuso sexual a cada 26 segundos. Segundo a Simelela, ONG criada em 2003 para dar apoio às vítimas de abuso sexual na área que abriga entre um milhão e dois milhões de pessoas, 41% das mulheres que sofrem violação têm menos de 14 anos. Só na região da Cidade do Cabo, cerca de 10% deles admitiram ter feito com jovens menores de 10 anos De acordo com os registros da organização, a vítima mais nova tinha um ano, e a mais velha, 76.

Um Continente onde os papéis de gênero são radicalmente definidos e impostos; onde a masculinidade é associada a perversidade, a honra ou domínio sobre as mulheres; onde a punição de mulheres e crianças é aceita; onde a violência é o padrão para resolver conflitos, onde as mulheres são consideradas seres inferiores, como em Serra Leoa que, em tempo de guerra civil, faz com que as tropas rebeldes cometam a barbárie de forçar as mulheres à escravidão sexual. Em Uganda, onde a lei reconhece ao homem o direito de bater na mulher. Onde é praticada a mutilação genital em meninas consistindo na extirpação parcial ou total dos órgãos genitais, práticas estas, comuns em 28 países africanos. Onde é “cultural” os casamentos precoces das meninas na média com 11 anos de idade, o que limita a estas meninas qualquer oportunidade de ter uma vida normal de uma criança com direitos de criança.

" Nós pedimos com insistência: nunca digam "isso é natural". Diante dos acontecimentos de cada dia. Numa época em que reina a confusão. Em que corre sangue. Em que se ordena a desordem.Em que o arbítrio tem forças de lei. Em que a humanidade se desumaniza. Nunca digam: "isso é natural". Estranhem o que não for estranho.Tomem por inexplicável o habitual. Sintam-se perplexos ante o cotidiano.Tratem de achar um remédio para o abuso. mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra. Desconfie do mais trivial, na aparência singelo. Examine o que parece habitual.Suplicamos expressamente: não aceite. O que é de habito, como coisa natural.Pois em tempo da desordem sangrenta. De confusão organizada.De arbitrariedade consciente.De humanidade desumanizada, nada deve parecer natural. Nada deve parecer impossível de mudar. (Bertold Brecht)

Lamentavelmente, várias culturas ainda aceitam, aprovam ou mesmo justificam as diversas atrocidades que são cometidas contra as mulheres, sendo essas atitudes, fruto da desigualdade estrutural e de normas de conduta distorcidas e rígidas a respeito dos diferenciados papéis que homens e mulheres devem desempenhar na sociedade. É urgente que busquemos cada vez mais ações para se banir as crenças da superioridade masculina onde a idéia de virilidade está associada a dominação e a de feminilidade se vincula a imagem preconcebida de submissão, se assim não agirmos estaremos fundamentando e consolidando relações violentas de gênero.
Como não nos indignarmos Felipe Melo? Quando você reproduz um discurso machista-sexista brasileiro, mas que não é diferente dos discursos do resto do mundo. A violência contra as mulheres e crianças ocorre em todos os países, em todos os grupos sociais, culturais, religiosos e econômicos, ou seja, a violência contra a mulher não respeita fronteiras geográficas, nem classe social, raça, religião ou idade.

Mudar o comportamento e as atitudes das pessoas exige um compromisso permanente de conscientização e de denuncia em relação à violência contra as mulheres e a todas as formas de opressão, pois se configuram em violação explícita dos direitos humanos e estas são inaceitáveis.
É Felipe, infelizmente VOCÊ PISOU NA JABULANI
E MARCOU GOL CONTRA
RESPEITO É BOM e TODAS NÓS O EXIGIMOS!

Lucia Irene Reali Lemos

Enviado por:  Articulação de Mulheres Brasileiras/RJ

sexta-feira, 11 de junho de 2010

TRAVESSIAS

  






















Foto Luz Marina

Travessia
" Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas
Que já têm a forma do nosso corpo..
E esquecer os nossos caminhos
que nos levam sempre aos mesmos lugares
É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado para sempre
À margem de nós mesmos."
Fernando Pessoa

quinta-feira, 10 de junho de 2010

COTIDIANO FEMININO


Convite
Apresentação da comédia musical "Coisas do gênero"
11 de junho às 21h na Lapa.
 
Exclusivamente em linguagem não-verbal, a comédia musical “Coisas do Gênero”, conta a história de uma mulher, que desde o seu nascimento até a maturidade, luta para ser reconhecida em casa e no trabalho. Com direção de Helen Sarapeck e direção musical de Roni Valk, a peça terá apresentação única, com ingressos gratuitos, no dia 11 de junho, sexta-feira, às 21h, na casa do Centro de Teatro do Oprimido, que fica na Avenida Mem de Sá 31, em frente aos Arcos da Lapa. De 16 a 28 de junho, a peça representará o Brasil durante o 15th International Youth Theatre Festival(Theatre of the Oppressed), em Pula, na Croácia. Além do Brasil, o Festival terá participação de grupos da Alemanha, Áustria, Espanha, EUA, Austrália, França, Itália e da Índia.INGRESSOS GRÁTIS

terça-feira, 18 de maio de 2010

18 DE MAIO DIA NACIONAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL








CACHAÇA CINEMA CLUBE

19 de maio de 2010

Sessão a favor da Luta Antimanicomial


A loucura, em verdade, não existe. É uma construção social que vem se transformando através dos séculos, reveladora dos instrumentos disciplinares e controladores disponíveis. Forjando limites para sua "existência" e "ausência", a razão então afirma-se como instituição de poder.

O que existe, sim, é o sofrimento mental. E este, mesmo no ano de 2010, século XXI, ainda é cercado de tabus e preconceitos. Na sociedade capitalista e excludente em que vivemos, o indivíduo que foge ao padrão produtivo imposto explicita e denuncia as contradições existentes. E aí segrega-se o doente mental, excluído sob a categoria de "louco".

Para romper esses preconceitos, em defesa da inclusão social, em respeito às diferenças e humanização do tratamento mental, surge, em 1987, um movimento por uma Reforma Psiquiátrica no Brasil. E dia 18 de maio é o marco do movimento, o Dia Nacional da Luta Antimanicomial.

Em homenagem a esta data e a esta luta, o Cachaça Cinema Clube repete a experiência de 2006 e realiza, no dia 19 de maio, uma sessão inteiramente dedicada à discussão sobre saúde mental.

Material Bruto, de Ricardo Alves Jr. é um manifesto pela poética e expressão própria da loucura, realizado com pacientes da rede pública de saúde mental de Belo Horizonte. Filmado dentro de um manicômio judiciário na Bahia, o documentário A casa dos mortos, da antropóloga Débora Diniz, choca e emociona ao acompanhar a trajetória de três pacientes-detentos, narrada por um poema de autoria de um deles. Um filme para fortes.

Para completar, exibiremos filmes realizados pela TV Pinel, TV comunitária produzida por usuários, funcionários e técnicos do Instituto Philippe Pinel, desde1996. Com bom humor e senso crítico, os pacientes constroem um discurso televisivo sobre a sua própria condição, estabelecendo novas esferas de expressão e participação social, discutindo a publicização da loucura e de seu tratamento. E entretendo bastante também.

Texto: Convite Cachaça Cinema Clube
Cachaça Cinema Clube
Dia 19 de maio de 2010
Cinema Odeon Petrobras, 21h
Praça Floriano, nº 7. Cinelândia
Preço: 12 Reais inteira, 6 Reais meia


cachacacinemaclube.blogspot.com

segunda-feira, 17 de maio de 2010

NOSSO OLHAR

"Quem olha para fora dorme, quem olha para dentro ACORDA"
C.G. Jung














Imagem:Espaço Educacional e Terapêutico para o Desenvolvimento Pessoal e Profissional da Mulher - CONTEXTO CORPORAL-

sexta-feira, 14 de maio de 2010

"QUERO PRESERVAR AMOR POR VOCÊ"


Assim de simples, um sentimento expressado em uma frase escrita em um fusquinha na Rua Real Grandeza em Botafogo e uma reflexão cotidiana caminho a casa.


























Foto: Luz Marina





Quantos fusquinhas já preservamos?

quinta-feira, 13 de maio de 2010

SEXUALIDADE NA ÓTICA DOS PROFESSORES























Sexualidade e educação podem ainda não caminhar em total harmonia, mas a perspectiva é cada vez mais possível, sobretudo porque as temáticas relativas a gênero e sexualidade estão progredindo no âmbito educacional de uma forma livre dos lugares comuns, preconceitos e estereótipos. No entanto, muitos estigmas ainda sobrevivem e o curso semipresencial Gênero e Diversidade na Escola (GDE) é uma das pontes para a aproximação entre questões ligadas à sexualidade e o ambiente escolar.

O GDE é articulado pelo CLAM/UERJ, em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e Ministério da Educação (MEC) desde 2005. Presente em todos os Estados do país, o curso foi o ponto de partida para a criação da Rede de Educação para a Diversidade, inaugurada em 2008 pelo MEC. A iniciativa promove o tratamento dos temas transversais na sala de aula, como raça, gênero, sexualidade e meio-ambiente.


O GDE busca tratar de questões de gênero, sexualidade e relações étnico-raciais junto a profissionais de educação da rede pública, dos ensinos Fundamental e Médio. As mudanças na atitude desses professores que cursam o GDE acabam se refletindo no comportamento de seus alunos mais tarde, em sala de aula. “O professor é uma referência em sala de aula. E, se esse professor não respeita as diferenças, o aluno se vê empoderado a continuar discriminando colegas de classe”, ressalta Bianka Pires, professora universitária que trabalhou como tutora do GDE em 2009 e participará do programa novamente este ano. No projeto, tutor é a pessoa que monitora o processo de aprendizagem no ambiente virtual. Em geral, são mestrandos e doutorandos das áreas das ciências sociais que vão orientar os professores cursistas. Cada um é responsável por um número de professores e dialoga com estes através de fóruns de debates e do diário – ferramenta específica da educação a distância que registra os conhecimentos prévios e adquiridos pelo cursista.

Muitos tutores acreditam que já podem ser percebidas modificações na atuação dos professores. “No curso analisamos e discutimos bastante as temáticas de gênero, sexualidade, raça e etnia. É impossível um professor voltar para a sala de aula e ver aquilo tudo da forma como via antes”, analisa Rafael Chaves, professor de Geografia da rede estadual e tutor do GDE.

“Começamos a perceber a diferença nas piadas dentro da sala de professores, a diferença no uso de vocabulário. Se algum professor tem algum tipo de preconceito, e é claro que existe bastante, ele tem vergonha de ter esse preconceito ou não fica tão à vontade para expô-lo”, afirma o professor da rede estadual André Barbosa, tutor do GDE desde 2005.

Neste ano, o curso oferecerá 1.500 vagas para professores em nível de atualização e mais 500 vagas para nível de especialização em todo o estado do Rio de Janeiro. O GDE é semipresencial e possui carga horária de 200 horas. Na edição deste ano, que começa hoje, houve aumento do número de aulas presenciais.

Leila Araújo, coordenadora do programa, enfatiza a importância de se discutir questões como gênero e diversidade sexual e racial. “Os temas ainda são um tabu na sociedade e, por isso, são silenciados em sala de aula. Muitos professores, por não terem fundamentos para lidar com essa realidade, acabam reproduzindo preconceitos e estereótipos de gênero”, afirma....

Publicada em: 05/05/2010 às 12:00 notícias CLAM
Fonte: CLAM centro latino-americano em sexualidade e direitos humanos