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domingo, 8 de maio de 2011

DELICIA DE AMOR MATERNO E PATERNO

Foto Facebook.
Esta foto postada no Facebook de uma família da cidade de Colombus, estado de Ohio nos (USA) foi realizada para ajudar arrecadar fundos. A mãe tem que mudar seus seis filhos com cerca de 50 fraldas, por dia os sêxtuplos  consomem cerca de 30  garrafas de leite, esta família  vive com um salário. Não foto não dai para perceber os apertos e o trabalho cotidiano, os gestos de ternura, paz , amor e tranquilidade falam mais alto e nos convida neste dia a refletir sobre o amor materno e paterno,  me permito citar aqui o hermoso texto do Professor da USP, Moacir Gadotti no artigo: AMOR PATERNO - AMOR MATERNO
O quanto é necessário - O quanto é insuficiente.


" O amor paterno/materno é uma conquista não só acessível a todos. Ele tem características tão comuns que quando falamos do nosso amor estamos falando também do amor de outros. Se ele não é certamente um instinto, mas uma conquista, ele só pode ser uma conquista porque potencialmente ele se encontra em todos os seres humanos. Todos somos capazes de amar. Se não estamos amando num certo momento, não significa que o amor não existe dentro de nós. No fundo, ao amar alguém, estamos amando o amor que está sempre dentro de nós.." 
veja: http://www.paulofreire.org/pub/Institu/SubInstitucional1203023491It003Ps002/Amor_paterno_amor_materno_1997.pdf

Feliz dia das mães para as mães e pais que amam, cuidam e acolhem com seu amor materno e paterno.

Meu abraço para todas e todos.

Luz Marina

quarta-feira, 27 de abril de 2011

VOCABULÁRIO FEMININO

Foto Arquivo Luz Marina
PALAVRA DE MULHER... 
Seja na minha vida pessoal ou na terapia sou fascinada pelo poder da palavra na boca da mulher. Segundo o momento, a necessidade, o desejo, as possibilidades ou as dificuldades, as palavras são faladas, colocadas, reinventadas, afirmadas, negadas e VIVIDAS.
Palavras como culpa, intuição, desejo, amor, medo, raiva, responsabilidade e desejo dentre outras, pulam, crescem, intimidam, vai e voltam.
Estou reeditando este post com o maravilhoso texto de Leila Ferreira, um OUTRO OLHAR.  
Abraços
Luz Marina

Vocabulário feminino

Leila Ferreira
"Se eu tivesse que escolher uma palavra – apenas uma –
para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje,
essa palavra seria um verbo de quatro sílabas:
descomplicar.
Depois de infinitas (e imensas) conquistas, acho que está
passando da hora de aprendermos a viver com mais leveza:
exigir menos dos outros e de nós próprias, cobrar menos,
reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o
espelho.
Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para
chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos
e merecemos – ter.
Mas há outras palavras que não podem faltar no kit
existencial da mulher moderna.
Amizade, por exemplo. Acostumadas a concentrar nossos
sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas,
acabamos deixando as amizades em segundo plano.
Incorpore ao seu vocabulário também duas palavras que têm
estado ausentes do cotidiano feminino:
pausa e silêncio.
Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes
por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia – não
importa – e a ficar em silêncio.

Essas pausas silenciosas nos permitem refletir, contar até
100 antes de uma decisão importante, entender melhor os
próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio
quando é preciso.

Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o
verbo rir. Não há creme anti-idade nem botox que salve a
expressão de uma mulher mal-humorada.
Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas
do nosso dia a dia.

Se for preciso, pegue uma comédia na locadora, preste
atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro
com aquela amiga engraçada – faça qualquer coisa, mas ria.
O riso nos salva de nós mesmas, cura nossas angústias e
nos reconcilia com a vida.
 

Outro vocabulário: gentileza. Ter classe não é usar roupas
de grife: é ser delicada. Saber se comportar é infinitamente
mais importante do que saber se vestir.
Vamos resgatar aquele velho exercício que anda esquecido:
aprenda a se colocar no lugar do outro, e trate-o como você
gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco,
na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado,
na academia.
E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que
deveriam ser indissociáveis da vida:
sonhar e recomeçar.
Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana
na praia, o curso que você ainda vai fazer, a promoção que
vai conquistar um dia ... sonhar é quase fazer acontecer.
Sonhe até que aconteça. E recomece, sempre que for
preciso: seja na carreira, na vida amorosa, nos
relacionamentos familiares. A vida nos dá um espaço de
manobra: use-o para reinventar a si mesma.
E, por último (agora, sim, encerrando), risque do seu
Aurélio a palavra perfeição.

O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades,
inseguranças, limites.

Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita, a
dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo, a
esposa nota mil.

Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar
ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não
arrepiam, bumbum que encara qualquer biquíni.
Mulheres reais são mulheres imperfeitas.

E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres
livres.  Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o
excesso de peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa
toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível".










sábado, 2 de abril de 2011

REALIZAÇÃO: "ANTES TARDE DO QUE NUNCA"

Foto-Luz Marina/ Escola Municipal em Laranjeiras-RJ


Após de assistir a este vídeo do YouTube, fechei meus olhos e tentei imaginar Janey Cutler com 40 anos de idade “cantarolando” pelos cantos da sua casa com essa sua voz potente, talvez cantando sozinha na cozinha, cantando para seus filhos ou para seus amigos, talvez  sonhando ser famosa ou simplesmente cantar.

Ela aparece plena nos seus 80 anos de idade, serena, orgulhosa, dona do seu nariz e das suas respostas. Esta mulher avó de treze netos e bisavó de quatro bisnetos descreve-se como uma mulher com uma vida ótima, sete filhos, momentos difíceis, mas uma vida feliz SEM ARREPENDIMENTOS...
Que maravilha!!! Viver e poder dizer “ANTES TARDE DO QUE NUNCA”, e que espetáculo viver e poder REALIZAR aquilo que a gente quer..

A palavra REALIZAÇÃO aprece no cotidiano de nossas vidas algumas vezes acompanhada do auto-reconhecimento, da auto-aceitação, da auto-estima, das conquistas, dos sonhos e lamentavelmente outras bem perto do medo, da frustração, da impotência, da desesperança, da desconfiança, do comodismo, da negação, das auto-limitações, da indiferença, da impotência, da tristeza e da depressão.

Realizar diz de um movimento, de uma escolha, de uma decisão, de uma ação...
Auto – realização é um sentimento internalizado do reconhecimento dos nossos movimentos, nossas escolhas e do nosso agir, sentimento que valoriza o reconhecimento de nossas necessidades, desejos, sonhos, objetivos e metas.

Janey Cutler cantou...
“Não teremos nenhum arrependimento...oh, a vida continua...”
Abraços e que seja abril um mês de muitas realizações
Assista:http://www.youtube.com/watch?v=8ADvp6fkMyQ&feature=autofb

quarta-feira, 9 de março de 2011

Elaine César: Câncer, Gravidez e Alienação Parental






Elaine César 2011







                                                                                                                     
No día internacional da mulher, o pedido de Thalita desde Espanha e as palavras de Elaine
refletem uma realidade triste e cruel. Ainda temos muito a conquistar, muito a denunciar e muito a ser mudado e transformado.                                                                                                             Não desistamos.
Abraços a todas e todos
Luz Marina

"Queridos amigos, mando novamente o texto do Tadeu Jungle e a "foto de segunda" que é a Elaine César. Amiga querida e minha companheira de trabalho durante mais de 2 anos, a Academia de Filmes. A Elaine está vivendo um momento muito dificil de tremanda injustiça de nossa "justiça brasileira". Claro preconceito à mulher e ao artista, ao câncer que está enfrentando ao mesmo tempo que luta por sua gravidez e por seu filho, qual perdeu a guarda por acusaçoes gravissimas de seu ex marido, pai de seu filho.
Vamos juntar-nos a Elaine nesta luta, fazer com que seu grito seja ouvido por todos. Vamos lutar por um final feliz! por favor, divulguem esta mensagem e seu blog, no facebook, twitter, emails, blog... vamos fazer com que o Brasil conheça o que está acontecendo com ela, inaceitavel nos dias de hoje. Muito obrigada.
Thalita via E-mail.
 
terça-feira, 8 de março de 2011
DIA DA MULHER "Choveram e-mails e mensagens sobre hoje.
Muitos me parabenizando por hoje como se fosse também além mulher, especial.
Talvez o momento que estou passando me torne uma, mas sei que o que vivo faz parte de tantas histórias de tantas mulheres, apesar de nas estatísticas de casos de alienação parental, mais de 90% dos casos de falsas denúncias de abuso sexual e implantação de falsas memórias são mulheres que criam as fantasias quando sentem que seus casamentos estão ameaçados ou já terminados.
Os casos são tão absurdos.
Mas com a inversão de valores, os homens também se colocam na posição que era exclusivamente de mulheres. Hoje atacam por se sentirem feridos, traídos e por não se acharem capazes de recomeçar uma nova vida.
Nas minhas pesquisas, tive contato com vários casos de mulheres que estão sendo injustiçadas em relação a guarda de seus filhos. Na maioria delas são mulheres independentes, inteligentes e com uma carreira sólida. Muitas dessas histórias são conhecidas por todos nós através da mídia.
Outras, tive contato por agora e que me faz ver que realmente são muitas.
Tem uma que não me sai da cabeça. Pós parto teve depressão, séria. O pai e os avós paternos se ofereceram para cuidar da criança, depois de tratada a mãe recuperou o filho. No primeiro final de semana junto com a mãe, foi acusada de ter abusado sexualmente do filho. A criança voltou a viver com o pai e avós. Uma guerra foi instaurada. Essa mãe, também acreditando que tudo isso era um engano não se preparou. Os avós, gente de poder, conseguiu a guarda. Hoje, mais de 2 anos, essa mãe só pode encontrar o filho num lugar do Estado, nem sei como se chama, sendo vigiada por psicólogos, guardas etc. Aguarda que seu caso seja analisado.
Penso nessa mãe quase todos os dias, quero conhece-la.
Ela deve ser homenageada hoje também.
E também mulheres que, mesmo dentro do poder judiciário não se acomodaram com as facilidades que o cargo provem e foram atrás de respostas.Tem uma que esta me iluminando muito nesta pesquisa como Maria Berenice Dias. Advogada, Ex-desembargadora do Tribunal do Justiça do Rio Grande do Sul. Vice Presidente Nacional do Instituto de Direito de Família e Conselheira Editorial da Revista Brasileira de Direito das Famílias e Sucessões.
Não sou panfletista e odeio essas campanhas de uma única causa.
Vejo que Maria Berenice, através de seus textos, consegue traduzir não só a Alienação Parental, mas principalmente a definição da FAMILIA na sociedade atual.
Encara de frente a realidade, desde a violência doméstica até a família formada hoje por relações homossexuais. Direito homo afetivo. O mundo MUDOU! e deve ser encarado assim.
http://www.direitohomoafetivo.com.br/


Passei o dia hoje tentado escrever uma lista de mulheres influentes para mandar um texto no dia de hoje, mas estava mergulhada no texto de Berenice. Por isso, publico os trechos da introdução do livro que é uma coletânea de vários autores sobre o tema.

Parabéns pra nós, mulheres"... continua http://elainecesar.blogspot.com/

WWW.tadeujungle.com.br

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

EU QUERO VOAR

Imagem Google

O ano novo chegou e estou iniciando 2011 com muita vontade de VOAR. eu quero voar baixinho, voar alto, voar por todos os cantos, voar para me ver e para ver, voar para me sentir e sentir, quero seguir voando para não perder minhas fantasias, minha imaginação e meus sonhos e nos preparativos deste vôo encontrei Clarice Lispector minha sempre companheira de viagem, ah como ela sabe escrever dessa nem sempre reconhecida liberdade de nos ACEITAR e RESPEITAR.
Abraços e um 2011 com muito crescimento.
Luz Marina
   
"Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!"
Clarice Lispector

Outros textos de Claríce

Recibi este maravilho filme enviado por  Elke Schulze , obrigada Elke,  continuemos voando juntas...


 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A SIMPLICIDADE DO NATAL

Encontros com Luz Marina Gutiérrez

Não consigo ver dezembro como um mês normal, seja por ser o ultimo mês do ano ou pela força emotiva que esta época traz. Junto com as datas de comemorações e festas chegam os encontros e reencontros com família, amigos e colegas, organizar a agenda nesta época torna-se uma tarefa difícil.

Decidi que mesmo com uma agenda apertada iria a fazer meus encontros de fim de ano com minhas amigas e com meus grupos de mulheres. Encontros com programas singelos porém profundos. Semana pasada um fim de semana em Paraty com minha amiga Gabriela, ontem com Fernanda e Rose, um encontro marcado na Rua Uruguaiana com a desculpa de fazer algumas comprinhas para o natal, todo a muito bom preço pago claro com suor, risos e cansaço. Um programa de amigas, de irmãs com o verdadeiro propósito de nos encontrar, falar de nós e porque não, fazer um balanço do 2010. No final das contas uma escusa para comemorar nossa amizade e nossas pequenas grandes conquistas. Hoje, amanhã e na próxima semana o encontro será com alguns grupos de mulheres, a idéia é rir e dançar no meu espaço em Copacabana.

Ontem caminhando com Fernanda e Rose pelas Ruas Buenos Aires, N. S dos Passos e Uruguaiana lembrei de minha amiga Sylviane quem um dia diz para eu gastar menos em “coisinhas” e não me converter em uma “dona bugiganga”, adorei essa expressão porque a verdade estou cheia de bugigangas em casa, adoro caderninhos decorados, quadros e outras mil coisas que talvez não tenham utilidade nenhuma e que comprei pelo simples prazer de comprar ou ganhei e conservo com muito carinho no meu cantinho “das bugigangas”. De tempo em tempo especialmente na fase da TPM aproveito e faço uma faxina geral e algumas de essas comprinhas são jogadas fora ou compartilhadas, esse é um outro movimento que me da muito prazer, quando eu faço isso, me sinto leve, livre e satisfeita.

Aos poucos quero comprar ou ganhar menos “coisinhas”, talvez seja a necessidade de exercer o desapego ou minha fase de praticidade, sei lá. Neste natal quero comprar, presentear e receber coisas para curtir e usar. Por isso o tempo compartilhado com minhas amigas e os encontros que realizarei em Copacabana. “Dançar a Vida” será meu presente de natal, um presente para mim mesma, uma oportunidade para fazer nosso balanço de um ano cheio de momentos de crescimento pessoal e profissional.

Agradeço a todas e todos pelos momentos compartilhados durante o 2010 e agradeço a Yolanda Sanchez minha amiga pelo envio via E-mail do texto de Martha Medeiros. Ela de forma brilhante fala do desapego, da liberdade e do recomeçar, lendo seu texto lembro da quantidade de BUGIGANGAS EMOCIONAIS que carregamos conosco, que dezembro seja  esta época simbólica, tempo de começar e tempo para aprender a  SER, ESTAR e CRESCER. Bom Natal!!!
Abraços

Luz Marina

A FAXINA

Martha Medeiros

Estava precisando fazer uma faxina em mim...
Jogar fora alguns pensamentos indesejados,
Tirar o pó de uns sonhos,
lavar alguns desejos que estavam enferrujando.....
Tirei do fundo das gavetas lembranças que não uso e não quero mais.
Joguei fora ilusões, papéis de presente que nunca usei, sorrisos que nunca darei...
Joguei fora a raiva e o rancor nas flores murchas
Guardadas num livro que não li.
Peguei meus sorrisos futuros e alegrias pretendidas e as coloquei num cantinho, bem arrumadinhas.
Fiquei sem paciência! Tirei tudo de dentro do armário e fui jogando no chão:
paixões escondidas, desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de um amigo, lembranças de um dia triste...
Mas lá havia outras coisas... belas!!!
Uma lua cor de prata...o choro de meus filhos ao nascerem
seus primeiros passos,os abraços....
aquela gargalhada no cinema, o primeiro beijo.....
o pôr do sol.... uma noite de amor
Encantada e me distraindo, fiquei olhando aquelas lembranças.
Sentei no chão,
Joguei direto no saco de lixo os restos de um amor que me magoou.
Peguei as palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima -
pois quase não as uso - e também joguei fora!
Outras coisas que ainda me magoam, coloquei num canto para depois ver o que
fazer, se as esqueço ou se vão pro lixo.
Revirei aquela gaveta onde se guarda tudo de importante: amor, alegria, sorrisos, fé…..
Como foi bom!!!
Recolhi com carinho o amor encontrado,
dobrei direitinho os desejos,
perfumei na esperança,
passei um paninho nas minhas metas
e deixei-as à mostra.
Coloquei nas gavetas de baixo lembranças da infância;
em cima, as de minha juventude, e...
pendurado bem à minha frente,
coloquei a minha capacidade de amar... e de recomeçar...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

PALAVRA DE MULHER ...(1)

(Virginia Wolf/ 1882-1941)

"Sinto..no mais íntimo de minha mente, 
que sou capaz de delinear 
um novo método crítico: 
algo menos rígido e formal. ...
E como, pergunto a mim mesma,
poderia fazê-lo?
Deve haver algum meio mais simples,
mais sutil, mais acurado 
de escrever sobre livros, 
como sobre pessoas, 
se pelo menos 
eu pudesse descobri-lo."

Virginia Wolf.
Diário de uma escritora

terça-feira, 13 de julho de 2010

TODAS AS MULHERES TEM DIREITO A UMA VIDA SEM VIOLÊNCIA


CONVITE DÍA 15 DE JULHO

A deputada Inês Pandeló, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Alerj, convida as instituições e serviços de apoio e proteção às mulheres vítimas de violência e o movimento de mulheres para um encontro nessa quinta-feira.
O objetivo da reunião é analisar não só o caso do assassinato de Eliza Samudio, como também outros casos de violência contra a mulher, e discutir propostas e ações de combate à violência sexista.

A reunião será no dia 15 de julho (quinta-feira), às 10 horas, no Auditório Nelson Carneiro, no prédio anexo da Alerj, na Rua Dom Manoel s/n°, 6° andar.



Mais informações no gabinete, telefone: (21) 25881241



Foto: Imagem Google



segunda-feira, 12 de julho de 2010

"A CADA 2 HORAS, UMA MULHER É MORTA NO BRASIL" - O CASO ELIZA SAMUDIO É O CASO DE MUITAS MULHERES NO BRASIL

 "Uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, deixando o país em 12° no ranking mundial de homicídios de mulheres. A maioria das vítimas é morta´por parentes, maridos, namorados, excompanheiros ou homens que foram rejeitados por elas" Tatiana Farah, O Globo 11-07-2010 
 
O CORDEL de Salete Maria
diz tudo!!!



Ilustração livrinhos do cordel 



O CASO 'ELIZA SAMUDIO'
E O MACHISMO TOTAL


O caso Eliza Samudio
Que tem chocado o Brasil
Emerge como  prelúdio
De um grande desafio:
Exortar nossa Justiça
Pra deixar de ser omissa
Ante o machismo tão vil!

Trata-se de um momento
De grande reflexão
Pois não basta só lamento
Ou alguma oração
É hora de provocar
Propondo um outro olhar
Sobre processo e ação

Saiu na televisão
Rádio, internet e jornal
Notícia em primeira mão
Toda manchete é igual:
Ex-amante de goleiro
(Aquele cheio de dinheiro!)
Sumiu sem deixar sinal

Muita especulação
- discurso de autoridade-
Uns dizem que é armação
Outros dizem que é verdade
Polícia e delegacia
Justiça e promotoria:
Fogueira de vaidades!

Mei-mundo de advogados
Investigação global
Cada um no seu quadrado
Falando em todo canal
Subjacente a tudo
Um peixe muito graúdo:
Androcentrismo total!

A mídia fala em Bruno
Eliza e gravidez
Flamengo, orgia e fumo
-esta é a bola da vez!-
Tem muito 'especialista'
Em busca de alguma pista
Pra ser o herói do mês

E a história se repetindo
Mudando apenas o nome
Outra mulher sucumbindo
Sob ameaça dum homem
Uma vida abreviada
Cuja morte anunciada
A estatística consome

Assim é a violência
Lançada sobre a mulher
Ela pede providência
E cara faz o que quer
Mas a Justiça, que é lerda,
Machista, 'fazendo merda'
Vem com papo de mané

E oito meses depois
Da 'denúncia' inicial
Que é o feijão com arroz
Do distinto tribunal
Nadica de nada existe
Mas autoridade insiste
Que isto, sim, é  normal:

?A culpa é do Instituto
Que não mandou o exame?
- isto soa como insulto
e daqueles mais infame-
Não era caso de urgência?
-tenha santa paciência!-
Para que serve um ditame?

A moça buscou amparo
Na Justiça do país
Agiu correto, é claro
E esperou do juiz
O tal reconhecimento
Sobre o pai do seu rebento
Tendo a vida por um triz

Também fez comunicado
Ao campo policial
Dizendo que o namorado
Praticou crimes e tal
Buscou as vias legais
Enfrentou feras reais
Terá sido este o seu mal?

Mesmo com a delegacia
Dita especializada
E com toda a apologia
De uma Lei avançada
Faltou ter  a ruptura
Com aquela velha cultura
De que a mulher é culpada

E o cumprimento legal
No caso, muito importante
Seria mais um arsenal
Para enfrentar o gigante
Mudar a mentalidade
De nossas autoridades
É fator preponderante

E para que isto ocorra
Entre outra alternativa
Antes que mais uma morra
E o caso fique à deriva
É preciso compreender
Que Justiça é pra fazer
Enquanto a mulher tá viva!

Sei que nada justifica
Que haja tanta demora
E enquanto o caso complica
A  vítima 'já foi embora'
Sem medida protetiva!
Sequer prisão preventiva!
Quanta inoperância aflora!

Se o exame era necessário
À elucidação do crime
O Estado-perdulário
Neste campo fez regime
Ficando no empurra empurra
No velho: ''mulher é burra,
e joga no outro time?

Todo crime tem problemas
De toda diversidade
Assim como há esquemas
Também há dificuldades
Mas pra mim é evidente
Que o machismo presente
Premia a impunidade

Machismo compartilhado
Por gente de toda cor
Do goleiro ao empregado
Do primo ao executor
Autoridades também
Implicitamente têm
Um machismo inspirador

Cada 'doutor' se expressa
Centrado no  garanhão
É o mote da conversa:
Fama, grana e traição
Ao se referir a ela
Falam da menina bela
Que fez filme de tesão

Falta a compreensão
Da questão relacional
Gênero, classe, profissão
Cor e status social
O processo é narrativa
Que emerge da saliva
Falocêntrica-legal

E ainda que alguns digam
?Oh, Eliza, coitadinha?
E suas doutrinas sigam
Desvendando pegadinhas
A escola dogmática
Do direito-matemática
Perpetua ladainhas

Processo judicial
Só serve para punir?
Havia tanto sinal...
Não dava pra prevenir?
E a tal ação civil?
Alimentos deferiu?
Para o bebê consumir?

É um momento de dor
Para a família dos dois
O caso é multifator
Não basta dar nome aos bois
A lógica policial
Cartesiana e formal
Festeja tudo depois

Por isso se faz urgente
Conjugar gênero e direito
Pois um trabalho decente
Que surta algum efeito
Não se limita a julgar
Mas também a estudar
O cerne do preconceito

Homens que matam mulheres
Em relações de poder
Isto tem se dado em série
Mas é preciso entender
Que subjaz ao evento
Um histórico comportamento
Que vai construindo o ser

A nossa sociedade
Apesar da evolução
Reproduz iniquidade
E também muita opressão
Homem que bate em mulher
- E ?ninguém mete a colher? -
Sempre foi uma 'lição'

Aprendida por goleiros
Delegados, professores
Motoristas, marceneiros
Pedreiros e promotores
Garçons e malabaristas
Médicos e taxistas
Juízes e adestradores

Por isto em nossos dias
De conquistas sociais
De novas filosofias
Direitos especiais
Não podemos aceitar
Justiça só pra apurar
Crimes tão excepcionais

Que a Justiça também
Sirva para (se) educar
Chega deste nhém-nhém-nhém
Deste eterno blá-blá-blá
A Lei Maria da Penha
Existe pra que não tenha
Tanta morte a lamentar!!!

Salete Maria
www.cordelirando.blogspot.com

segunda-feira, 14 de junho de 2010

MULHERES NA COPA?







 














Comparto o texto de Lucia Irene Reali Lemos, acadêmica de Administração Legislativa, assessora parlamentar e integrante do Coletivo Estadual de Mulheres do PT do Rio Grande do Sul. Em tempo de Copa este olhar nos faz refletir na situação das mulheres vítimas de violência aqui em Brasil e no mundo.

NEM MULHER DE MALANDRO, NEM PATRICINHA, NENHUMA MULHER QUER SER ROTULADA OU CHUTADA!

Como na música, “todo dia a cidade vem e nos desafia...” e é assim mesmo, todos os dias somos provocadas em nossa dignidade e não é de hoje as lutas dos movimentos e das organizações ligadas ao combate da violência contra as mulheres. Constantemente enfrentamos “ferrenhas” batalhas contra as campanhas publicitárias que utilizam a imagem da mulher em seus produtos e as oferecem como objeto de consumo. A coisificação tá escancarada e o desrespeito cada vez maior. 

 
Esta semana fomos surpreendidas com a deplorável declaração de um desportista, jogador de futebol da Seleção Brasileira, Felipe Melo, ao falar sobre a sua insatisfação com a Jabulani, a bola oficial da Copa do Mundo: "A outra bola é igual a mulher de malandro: você chuta e ela continua ali. Essa de agora é igual a uma patricinha, que não quer ser chutada de jeito nenhum". O que nos leva a várias interpretações podendo entender que tanto a “mulher de malandro”, como “a patricinha”, (sem contar a ofensa dos rótulos) mesmo as duas não querendo, serão vítimas de violência, a diferença é que uma é agredida e se cala e a outra mesmo resistindo e reclamando será agredida também.

O fato é: a famigerada declaração vem carregada de machismo e nas entrelinhas revela a cultura de violência “velada” que existe no “mundo das personalidades” (o que não é nenhuma novidade pra nós), nos levando a uma reflexão sobre a postura do referido e o quanto isso nos transtorna.

Por ironia do destino, esta é a declaração de um homem que leva a imagem do Brasil gravada em suas vestimentas e em nossas bandeiras (sua atitude, retrata o triste perfil da violência contra as mulheres brasileiras) e foi feita na África do Sul, coincidentemente no país cujo Presidente da Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano, Julius Malema, foi levado ao tribunal por empregar um discurso baseado no ódio contra as mulheres. País que segundo estudo efetuado em 2009 pelo Conselho de Pesquisa Médica da África do Sul revelou que um em cada quatro homens entrevistados admitiu ter violentado uma mulher, o índice mais elevado de todo o mundo.

Ora, ora, o referido foi “infeliz” na sua declaração e talvez desconheça o peso de ser mulher em um país cujo continente quase que na sua totalidade é marcado pela desigualdade, pelo machismo e pela violência.

Pesquisas apontam que a África do Sul possui altos índices de violência sexual – cerca de 150 mulheres são violadas diariamente, segundo os dados do Instituto Sul-Africano para Relações Raciais. Sem contar que é muito comum o estupro coletivo (1/4 dos casos envolve mais de um abusador). A estimativa é de que ocorra um abuso sexual a cada 26 segundos. Segundo a Simelela, ONG criada em 2003 para dar apoio às vítimas de abuso sexual na área que abriga entre um milhão e dois milhões de pessoas, 41% das mulheres que sofrem violação têm menos de 14 anos. Só na região da Cidade do Cabo, cerca de 10% deles admitiram ter feito com jovens menores de 10 anos De acordo com os registros da organização, a vítima mais nova tinha um ano, e a mais velha, 76.

Um Continente onde os papéis de gênero são radicalmente definidos e impostos; onde a masculinidade é associada a perversidade, a honra ou domínio sobre as mulheres; onde a punição de mulheres e crianças é aceita; onde a violência é o padrão para resolver conflitos, onde as mulheres são consideradas seres inferiores, como em Serra Leoa que, em tempo de guerra civil, faz com que as tropas rebeldes cometam a barbárie de forçar as mulheres à escravidão sexual. Em Uganda, onde a lei reconhece ao homem o direito de bater na mulher. Onde é praticada a mutilação genital em meninas consistindo na extirpação parcial ou total dos órgãos genitais, práticas estas, comuns em 28 países africanos. Onde é “cultural” os casamentos precoces das meninas na média com 11 anos de idade, o que limita a estas meninas qualquer oportunidade de ter uma vida normal de uma criança com direitos de criança.

" Nós pedimos com insistência: nunca digam "isso é natural". Diante dos acontecimentos de cada dia. Numa época em que reina a confusão. Em que corre sangue. Em que se ordena a desordem.Em que o arbítrio tem forças de lei. Em que a humanidade se desumaniza. Nunca digam: "isso é natural". Estranhem o que não for estranho.Tomem por inexplicável o habitual. Sintam-se perplexos ante o cotidiano.Tratem de achar um remédio para o abuso. mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra. Desconfie do mais trivial, na aparência singelo. Examine o que parece habitual.Suplicamos expressamente: não aceite. O que é de habito, como coisa natural.Pois em tempo da desordem sangrenta. De confusão organizada.De arbitrariedade consciente.De humanidade desumanizada, nada deve parecer natural. Nada deve parecer impossível de mudar. (Bertold Brecht)

Lamentavelmente, várias culturas ainda aceitam, aprovam ou mesmo justificam as diversas atrocidades que são cometidas contra as mulheres, sendo essas atitudes, fruto da desigualdade estrutural e de normas de conduta distorcidas e rígidas a respeito dos diferenciados papéis que homens e mulheres devem desempenhar na sociedade. É urgente que busquemos cada vez mais ações para se banir as crenças da superioridade masculina onde a idéia de virilidade está associada a dominação e a de feminilidade se vincula a imagem preconcebida de submissão, se assim não agirmos estaremos fundamentando e consolidando relações violentas de gênero.
Como não nos indignarmos Felipe Melo? Quando você reproduz um discurso machista-sexista brasileiro, mas que não é diferente dos discursos do resto do mundo. A violência contra as mulheres e crianças ocorre em todos os países, em todos os grupos sociais, culturais, religiosos e econômicos, ou seja, a violência contra a mulher não respeita fronteiras geográficas, nem classe social, raça, religião ou idade.

Mudar o comportamento e as atitudes das pessoas exige um compromisso permanente de conscientização e de denuncia em relação à violência contra as mulheres e a todas as formas de opressão, pois se configuram em violação explícita dos direitos humanos e estas são inaceitáveis.
É Felipe, infelizmente VOCÊ PISOU NA JABULANI
E MARCOU GOL CONTRA
RESPEITO É BOM e TODAS NÓS O EXIGIMOS!

Lucia Irene Reali Lemos

Enviado por:  Articulação de Mulheres Brasileiras/RJ

quinta-feira, 10 de junho de 2010

COTIDIANO FEMININO


Convite
Apresentação da comédia musical "Coisas do gênero"
11 de junho às 21h na Lapa.
 
Exclusivamente em linguagem não-verbal, a comédia musical “Coisas do Gênero”, conta a história de uma mulher, que desde o seu nascimento até a maturidade, luta para ser reconhecida em casa e no trabalho. Com direção de Helen Sarapeck e direção musical de Roni Valk, a peça terá apresentação única, com ingressos gratuitos, no dia 11 de junho, sexta-feira, às 21h, na casa do Centro de Teatro do Oprimido, que fica na Avenida Mem de Sá 31, em frente aos Arcos da Lapa. De 16 a 28 de junho, a peça representará o Brasil durante o 15th International Youth Theatre Festival(Theatre of the Oppressed), em Pula, na Croácia. Além do Brasil, o Festival terá participação de grupos da Alemanha, Áustria, Espanha, EUA, Austrália, França, Itália e da Índia.INGRESSOS GRÁTIS

quinta-feira, 13 de maio de 2010

SEXUALIDADE NA ÓTICA DOS PROFESSORES























Sexualidade e educação podem ainda não caminhar em total harmonia, mas a perspectiva é cada vez mais possível, sobretudo porque as temáticas relativas a gênero e sexualidade estão progredindo no âmbito educacional de uma forma livre dos lugares comuns, preconceitos e estereótipos. No entanto, muitos estigmas ainda sobrevivem e o curso semipresencial Gênero e Diversidade na Escola (GDE) é uma das pontes para a aproximação entre questões ligadas à sexualidade e o ambiente escolar.

O GDE é articulado pelo CLAM/UERJ, em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e Ministério da Educação (MEC) desde 2005. Presente em todos os Estados do país, o curso foi o ponto de partida para a criação da Rede de Educação para a Diversidade, inaugurada em 2008 pelo MEC. A iniciativa promove o tratamento dos temas transversais na sala de aula, como raça, gênero, sexualidade e meio-ambiente.


O GDE busca tratar de questões de gênero, sexualidade e relações étnico-raciais junto a profissionais de educação da rede pública, dos ensinos Fundamental e Médio. As mudanças na atitude desses professores que cursam o GDE acabam se refletindo no comportamento de seus alunos mais tarde, em sala de aula. “O professor é uma referência em sala de aula. E, se esse professor não respeita as diferenças, o aluno se vê empoderado a continuar discriminando colegas de classe”, ressalta Bianka Pires, professora universitária que trabalhou como tutora do GDE em 2009 e participará do programa novamente este ano. No projeto, tutor é a pessoa que monitora o processo de aprendizagem no ambiente virtual. Em geral, são mestrandos e doutorandos das áreas das ciências sociais que vão orientar os professores cursistas. Cada um é responsável por um número de professores e dialoga com estes através de fóruns de debates e do diário – ferramenta específica da educação a distância que registra os conhecimentos prévios e adquiridos pelo cursista.

Muitos tutores acreditam que já podem ser percebidas modificações na atuação dos professores. “No curso analisamos e discutimos bastante as temáticas de gênero, sexualidade, raça e etnia. É impossível um professor voltar para a sala de aula e ver aquilo tudo da forma como via antes”, analisa Rafael Chaves, professor de Geografia da rede estadual e tutor do GDE.

“Começamos a perceber a diferença nas piadas dentro da sala de professores, a diferença no uso de vocabulário. Se algum professor tem algum tipo de preconceito, e é claro que existe bastante, ele tem vergonha de ter esse preconceito ou não fica tão à vontade para expô-lo”, afirma o professor da rede estadual André Barbosa, tutor do GDE desde 2005.

Neste ano, o curso oferecerá 1.500 vagas para professores em nível de atualização e mais 500 vagas para nível de especialização em todo o estado do Rio de Janeiro. O GDE é semipresencial e possui carga horária de 200 horas. Na edição deste ano, que começa hoje, houve aumento do número de aulas presenciais.

Leila Araújo, coordenadora do programa, enfatiza a importância de se discutir questões como gênero e diversidade sexual e racial. “Os temas ainda são um tabu na sociedade e, por isso, são silenciados em sala de aula. Muitos professores, por não terem fundamentos para lidar com essa realidade, acabam reproduzindo preconceitos e estereótipos de gênero”, afirma....

Publicada em: 05/05/2010 às 12:00 notícias CLAM
Fonte: CLAM centro latino-americano em sexualidade e direitos humanos